domingo, 14 de abril de 2013

Arena Pernambuco é entregue neste domingo.



Finalmente chegou o dia. A partir do próximo domingo, 14 de abril, Pernambuco se juntará ao Ceará, à Bahia e a Minas Gerais na lista de estados com estádios da Copa do Mundo concluídos. Iniciada em outubro de de 2010, a Arena Pernambuco será aberta oficialmente pelas autoridades pernambucanas. Foram 31 meses e muitas dores de cabeça até que esse dia chegasse. É verdade que o evento ainda não é uma partida oficial. No entanto, é o primeiro gostinho mais concreto (quase que literalmente) da Copa das Confederações de 2013 e do Mundial do próximo ano.

Como nos outros estados, a entrega da Arena Pernambuco será apenas simbólica. A partir de 21 de abril, a arena estará aberta para visitações do público. O primeiro jogo ocorrerá somente no dia 14 de maio, com a presença dos operários do estádio. O tempo é suficiente para os ajustes finais da construção. Jogo oficial mesmo somente no dia 22 de maio com a obrigação da presença do Náutico, equipe que passará a mandar os seus jogos na arena depois da Copa das Confederações.

As dificuldades do início e o plano de aceleração

O clima com certeza será de festa no próximo domingo. O ambiente será bastante diferente dos meses iniciais da construção quando greves atrapalharam o andamento da obra. Como se não bastasse, as chuvas também prejudicaram a terraplenagem do terreno da arena. A obra pouco avançou visivelmente entre outubro de 2010 e junho de 2012 - não chegou nem aos 50%. A cidade que desejava sediar a Copa das Confederações foi colocada em xeque pelo secretário-geral da FIFA, Jêrome Valcke.
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Arena pouco avançou até o primeiro semestre de 2012. A imagem acima foi registrada em novembro de 2011. Foto: Divulgação

A virada da obra da Arena, porém, viria após uma visita do próprio Valcke, em junho de 2012. Na época o estádio estava 43% pronto e era dado como praticamente fora da torneio que atencede a Copa do Mundo um ano antes. Seria necessária uma verdadeira engenharia de aceleração para que a FIFA aceitasse o estádio pernambucano na Copa das Confederações.

E o plano de aceleração da arena veio. Junto com ele o aumento dos gastos, que o Governo do Estado só vai divulgar com a obra totalmente finalizada. Já é possível afirmar que o orçamento de R$ 530 milhões planejado inicialmente foi ultrapassado não só pela necessidade de correr com a obra, mas também pelos reajustes financeiros durante a construção.
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Estádio em outubro de 2012 já com a primeira parte da cobertura. Foto: Divulgação

Com a aceleração, a Arena Pernambuco virou uma verdadeira cidade em obras. Mais de 4.500 funcionários chegaram a
 trabalhar na obra dia e noite sem parar. O som da construção civil só era interrompido por algumas horas para manutenção das máquinas. Tudo isso para que o estádio conseguisse atingir a meta da FIFA e entrar no quadro de sedes da Copa das Confederações.

A confirmação como sede da Copa das Confederações

O resultado veio em novembro de 2012 com a oficialização da FIFA. Recife irá receber três jogos da Copa das Confederações - Espanha x Uruguai, Itália x Japão e Uruguai x Taiti. O sinal de que tudo estava no caminho desejado veio em março deste ano, quando Valcke voltou ao Recife e encontrou a arena praticamente pronta, beirando aos 90%. "Estou muito satisfeito com o que estou vendo. Digo bravo e parabéns", afirmou o secretário-geral da FIFA na época.

Atualmente a Arena Pernambuco está praticamente concluída. Partes importantes como a cobertura e o gramado já foram feitas. Restam detalhes como o acabamento, por exemplo. Por conta disso, a data de 14 de abril, divulgada antes como o dia de inauguração do estádio, é encarada agora como apenas como mais uma visita para os jornalistas.
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Gramado foi concluído no fim de março deste ano. Foto: Thiago Wagner/Blog do Torcedor

O futuro

Após a Copa das Confederações, a Arena Pernambuco passará a receber os jogos do Náutico. O Timbu mandará suas partidas na arena durante os próximos 30 anos de acordo com contrato feito junto à Odebrecht, operadora do estádio. A antiga casa, os Aflitos, deverá ser explorada comercialmente. Além das partidas, a Arena Pernambuco tem tudo para ser mais um ponto de shows e eventos na Região Metropolitana do Recife. A grande expectativa após a conclusão fica por conta da mudança do cenário do entorno. Será o momento do investimento na Cidade da Copa.
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Foto: Rodrigo Lôbo/JC Imagem

Ficha técnica da Arena Pernambuco:

Área: 42 hectares
Área de construção: 130 mil m²
Área de coberta: 20 mil m²
Público total: 46.105 (1.600 assentos nos camarotes, 1.800 assentos business e 2.700 assentos Premium).
Estacionamento: 4.720 vagas, sendo 800 cobertas.
Escadas rolantes: 13
Elevadores: 8
Rampa de acesso: 8
Entradas: 12
Bares: 42
Restaurantes: 4
Conjunto de banheiros: 71
Auditório: 400 pessoas
Pavimentos: 6
Camarotes: 102
Assentos Premium: 4.700
Telões: 2
Câmeras de segurança: 271
Custo da obra: R$ 530 milhões (números históricos ainda sem correção)

O estádio está pronto, mas e o acesso?

Nem só de de arena vive a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, o acesso para o estádio também é importante. No caso do Recife, sete das 14 obras previstas para o torneio de 2013 estão prontas: a duplicação e o viaduto da BR-408, os conectores do Aeroporto do Recife, o terminal integrado aeroporto, o viaduto da Panordestina, a requalificação da Estrada da Batalha e o viaduto dos Bultrins. Outras seis intervenções de mobilidade são previstas para a Copa do Mundo, totalizando 20 no total.

Entre as obras que ainda não estão concluídas está o Ramal Cidade da Copa, que será o principal acesso para a Arena Pernambuco durante os dois torneios. A estrada está 86% pronta (percentual referente ao mês de março). A previsão de entrega do ramal, orçado em R$ 131 milhões, é para maio deste ano. Confira  abaixo como estão as obra de mobilidade para os torneios da FIFA:

Seca provoca flagelo econômico em Pernambuco



Pecuária do Estado contabiliza prejuízo de R$ 1,5 bilhão
 / Alexandre Gondim/JC Imagem

BOM CONSELHO – Na seca de 1932, o jovem Miguel Arraes decidiu fazer prontidão na frente de sua casa, no município cearense do Crato. Com uma jarra do lado e bolachas à mão, o ex-governador de Pernambuco distribuía água e comida com retirantes famintos. Hoje, a calamidade tem outra face. A imagem de crianças esquálidas de Vidas Secas não representa a “nova estiagem”. Programas de transferência de renda abrandaram a vergonha da fome. O flagelo é econômico. No Semi-árido pernambucano, atividades produtivas foram quase dizimadas. Só na pecuária, o prejuízo é de R$ 1,5 bilhão. Há 2 anos não cai chuva suficiente para plantar feijão e milho. O verão prolongado comprometeu até a produção irrigada. Entre os meteorologistas é consenso que as previsões para os próximos três meses não são otimistas.
“Se não chover dentro de mais um mês vou abrir a porteira do curral e deixar o gado ir embora”, confessa, desolado, o pequeno criador Sebastião Curvelo, de Bom Conselho (Agreste). Bastim, como é conhecido no campo, admite abandonar a atividade de uma vida inteira, por falta de condições para alimentar os animais. Desde que a estiagem se prolongou, o produtor divide o dinheiro da aposentadoria rural com os bichos. “Fico com uma parte para a feira da família e o restante gasto com eles, mas não tô aguentando”, diz. 
Anêmicas e desnutridas, as vacas quase não produzem mais leite e deixam de gerar renda para virar um fardo. “Hoje a bóia delas é folha de bananeira. Compro uma carrada por R$ 200 e ainda tenho que pagar mais R$ 200 pelo frete”, calcula Bastim, que chegou a ter 60 animais, mas hoje só restam 13. Uma parte vendeu barato e outros morreram de inanição. 
A terra esturricada e sem pasto obriga os criadores a uma rotina de peregrinação pelo Semiárido em busca de água e comida para os animais. Referência de uma pequena produtora que conseguiu estruturar seu sítio, Maria Tito Luz, de 51 anos, vendeu uma casa e pediu empréstimo para manter o curral vivo, no distrito de Barra do Brejo, em Bom Conselho. Os barreiros secaram e a silagem armazenada para dar ao gado na estiagem só durou seis meses. “A última trovoada que deu por aqui foi em junho de 2012, mas foi fraca. Nasci e me criei por essas bandas e nunca vi uma seca dessas”, diz. 
Os carros-pipa do Exército, do Estado e da prefeitura nunca deram o ar da graça em Barra do Brejo. Maria é obrigada a desembolsar R$ 120 por semana num pipeiro para encher o barreiro onde os bichos matam a sede. O sol a pino e o céu sem nuvem, de um azul estridente, fazem a água evaporar rápido. Junto com os irmãos que moram na vizinhança, a criadora cotiza a compra de palma, vai buscar cana-de-açúcar doada pelo governo e disputa espaço nos mananciais onde resta uma nesga de água. 
“Se a praga (da cochonilha do carmim) não tivesse acabado com a palma, nossa situação seria diferente. Ela era a salvação do gado. Hoje, precisamos buscar a planta em Alagoas. Pagamos R$ 600 por um caminhão pequeno e quem vende ainda nos obriga a cortar o caule e carregar o caminhão”, conta. A cochinilha dizimou 90% da plantação de palma de Pernambuco.